Tem um tipo de manhã que só o inverno traz. Você acorda e, antes mesmo de sair da cama, já sente que o dia vai ser mais pesado. O corpo demora a responder, a cabeça parece mais lenta… e aquela energia básica para começar simplesmente não está ali. E aí você pensa: e agora?
Porque, na prática, não aconteceu nada de diferente. A vida é a mesma, as demandas continuam, mas a forma como você está se sentindo muda completamente.
Fica mais difícil sair de casa e é mais difícil se concentrar. Às vezes, até responder uma mensagem simples parece exigir mais esforço do que deveria. E vem aquela dúvida: como assim eu estou assim, se está tudo “normal”?
Olha só… talvez não seja só você.
O inverno mexe mais do que a gente imagina


Essa sensação de peso tem explicação. Nos meses mais frios, a quantidade de luz solar diminui e isso afeta diretamente a produção de serotonina, que tem um papel importante na regulação do humor, sabia?
Ao mesmo tempo, a melatonina, que regula o sono, tende a aumentar. O corpo entende que precisa desacelerar, porque os dias estão mais curtos. Só que, na prática, isso pode virar mais sonolência e menos energia. E fica aquela sensação de que você nunca acorda completamente. Eu sei bem…
E tem mais um ponto. O ritmo circadiano, que é o nosso relógio interno, depende da luz para funcionar bem. Quando essa luz muda, ele também muda.
Concorda comigo que isso já é suficiente para bagunçar um pouco as coisas?
Não é só no corpo, mas no sentimento
Existe um nome técnico para os quadros mais intensos, que é o transtorno afetivo sazonal. Mas não precisa nem ir tão longe.
Muita gente vive uma versão mais leve disso. Aquela sensação de estar mais devagar, mais fechada… com menos vontade de se expor. De sair, de encontrar gente.
E o ponto importante aqui é outro: o inverno não cria sentimentos do nada. Ele intensifica o que já estava ali.
Se você já vinha cansada, isso aparece mais. Por exemplo, a sobrecarga pesa mais. E aquele distanciamento de você mesma, que antes passava despercebido, fica muito mais evidente.
Que curioso, né, como o ambiente externo mexe tanto com o que está acontecendo por dentro…
O corpo recolhe e a vida continua exigindo


Tem um movimento natural no inverno que é o de recolhimento, já que agora você entende que o corpo pede mais pausa. É tipo ter “mais tempo pra dentro”. Só que a vida não acompanha esse ritmo e aí nasce um desencontro.
Você tenta manter a mesma produtividade, mas o seu corpo está em outro lugar e isso começa a pesar.
Não é só cansaço físico. É uma sensação de esforço constante, como se tudo exigisse um pouco mais de você.
E, em vez de olhar pra isso com curiosidade, muita gente começa a se cobrar. Como se fosse falta de disciplina ou falta de alguma outra coisa.
Um basta no “dar conta”
Talvez seja importante considerar outra coisa: o que você sente no inverno pode ter muito mais a ver com o funcionamento do seu corpo do que com qualquer falha sua.
Porque existe uma base biológica, sim. A luz muda, os hormônios acompanham essa mudança, e o ritmo do corpo também entra nesse ajuste. Mas também existe um detalhe: o inverno diminui o barulho.
Tem menos agitação de encontros com amigos, de viagens… E aí o cansaço acumulado começa a aparecer nessa pausa. Emoções que foram sendo empurradas também. Pode surgir, então, uma sensação de desconexão que, no ritmo acelerado do resto do ano, passava despercebida.


E agora?
Então, deixa eu te propor uma coisa: em vez de se cobrar por não estar funcionando do mesmo jeito de sempre… que tal observar o que esse momento está mostrando?
Não precisa resolver tudo agora, mas talvez valha a pena escutar um pouco mais.
Porque, às vezes, o inverno não está criando um problema, ele está revelando algo que já precisava de atenção.
Na terapia, esse tipo de processo ganha mais clareza, porque você não precisa atravessar isso sozinha. Eu atendo online e presencialmente em Belo Horizonte, e esse pode ser um espaço para entender melhor o que está por trás dessa sensação.
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