Outro dia, no consultório, uma mulher me disse algo que ficou comigo. Ela tinha acabado de ser promovida para um cargo que queria há anos. Um reconhecimento que, olhando de fora, fazia todo sentido.
Mas ela completou a frase assim: “eu não consigo sentir nada”.
Nem alegria, nem alívio. Só um cansaço profundo e uma sensação de vazio que ela mesma não sabia explicar.
Enquanto ela falava, uma coisa foi ficando clara: aquela conquista não tinha vindo sozinha. Ela tinha custado alguma coisa. E, olha… não foi pouco.
O preço que não aparece no currículo


Existe uma ideia muito forte de que crescer na carreira é uma linha de progresso. Estudo, esforço, dedicação, reconhecimento, é como se fosse uma sequência lógica! Onde já se viu!
Mas e o que fica pelo caminho?
Uma pesquisa com mais de 1.500 mulheres em cargos de liderança mostrou que 58% delas abriram mão da saúde mental para crescer profissionalmente. Mais da metade! E 53% disseram ter aberto mão do tempo com a família.
Quando a gente lê isso, pode parecer distante. Mas, na prática, não é, porque isso aparece no dia a dia de um jeito muito concreto.
São noites mal dormidas que viram rotina e tem também aquela sensação de alerta não vai embora. Até as decisões mais simples parecem não descansar nunca! O corpo não relaxa, a cabeça continua rodando.
E, aos poucos, aquilo que era só uma fase começa a virar o jeito de viver.
Quando abrir mão de si vira estratégia
Pensa comigo. Em algum momento, muitas mulheres percebem que, para serem levadas a sério, precisam fazer um pouco mais.
Porque, no fundo, errar ainda parece custar mais caro. Existe um medo de ser vista como menos comprometida, de não corresponder ao que esperam. E mesmo quando ninguém fala nada diretamente, essa cobrança está ali, atravessando tudo.
Aos poucos, ela começa a ajustar o próprio ritmo. Vai ignorando o cansaço, empurrando o que é dela para depois. Como se isso pudesse esperar mais um pouco!
E aí a carreira segue andando. Novas oportunidades aparecem, o reconhecimento chega… E, por fora, parece que está tudo funcionando.
Que curioso como algo que começa como estratégia de sobrevivência profissional pode virar um padrão difícil de interromper, né.
O momento em que algo não fecha mais


Em algum ponto, a conta começa a chegar e nem sempre isso acontece em um momento de crise evidente. Às vezes, acontece exatamente quando tudo “deu certo”.
A promoção veio e o salário melhorou. Oba! Mas, uai… Ainda assim, tem algo que não encaixa.
O corpo já está cansado de um jeito que não melhora com descanso e a mente não desliga, nem quando deveria. Fica uma sensação de que aquilo não sustenta mais.
E aí surge uma pergunta que incomoda: e se o sucesso que você construiu veio com um custo que você ainda não teve tempo de calcular?
O que a psicologia observa sobre isso
Quando alguém chega nesse ponto, é uma desconexão, percebe?
A pessoa não se sente mais presente na própria vida, mesmo que continue resolvendo e dando conta.
Mas isso acontece porque, ao longo do caminho, houve um afastamento de si mesma. Das próprias necessidades e limites! Ah, o tão temido limite…
Eu sei que não é algo consciente. Ninguém acorda um dia e decide se abandonar, né?
Isso vai acontecendo aos poucos, em pequenas concessões que parecem necessárias naquele momento. Porque, naquele momento, parar parecia impossível, então ela continuava, do jeito que conseguia, mesmo se afastando cada vez mais de si.
Voltar desse lugar exige um olhar mais honesto sobre o que foi sendo deixado para trás e é isso que eu desejo para você.


Um convite que pode mexer com você
Olhar para isso pode incomodar, eu sei bem!
Envolve reconhecer escolhas, padrões, formas de se posicionar que fizeram sentido em algum momento, mas que hoje já não cabem mais.
Mas, calma, também abre a possibilidade de recalcular a rota e perceber o que ainda faz sentido manter e o que não.
Esse texto conversa com você, eu sei, e é um processo que, na terapia, ganha mais clareza, porque você não precisa sustentar tudo sozinha. Os meus atendimentos podem acontecer de forma online ou presencial, em Belo Horizonte, combinado?
Aproveite para acompanhar meus conteúdos do blog e se inscrever na newsletter para mais.