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A era dos “gurus emocionais”: como reconhecer conteúdo sério de psicologia nas redes

Nos últimos anos, as redes sociais se tornaram uma grande vitrine de ideias sobre saúde emocional. Em poucos segundos, qualquer pessoa pode encontrar vídeos ensinando “como parar uma crise em 10 passos” ou “como vencer a ansiedade de forma definitiva”. Esse volume de informações cria a sensação de que tudo se resolve rapidamente, desde que haja disciplina. 

É exatamente nesse cenário que surgem os chamados gurus emocionais, pessoas que se apresentam como especialistas em sentimentos e que oferecem soluções prontas, sem formação ou responsabilidade técnica.

Como psicóloga, observo no consultório os efeitos disso. Muitas mulheres chegam acreditando que não estão “evoluindo” porque não conseguem aplicar métodos que encontraram na internet. Outras chegam culpadas por não alcançarem a tranquilidade prometida por um vídeo de 30 segundos. 

Sempre digo que emoções não se regulam desse modo. Emoções se compreendem, se nomeiam, se trabalham e se transformam com tempo e profundidade. Vamos conversar mais sobre isso?

O crescimento do conteúdo emocional raso

O consumo de conteúdo sobre saúde mental nas redes aumentou significativamente nos últimos anos. A Universidade de São Paulo (USP) alerta, inclusive, que as Redes sociais promovem a banalização do diagnóstico de transtornos mentais.

Esse aumento revela algo importante: as pessoas estão buscando compreensão. Em vez de procurar atendimento profissional, muitas começam procurando frases que as acolham, mesmo que superficialmente.

O problema central não está em consumir conteúdo leve sobre emoções. O problema está no risco de acreditar que conteúdo emocional é igual a psicologia. 

O Conselho Federal de Psicologia tem diretrizes claras que orientam a produção de conteúdo responsável: identificação profissional, compromisso com evidências e limites éticos sobre diagnósticos e orientações personalizadas. Quando esses critérios não são seguidos, a informação perde qualidade e pode gerar confusão.

Termos como gatilho, ansiedade e trauma são usados sem precisão, enfraquecendo o entendimento daquilo que é clínico e daquilo que faz parte das experiências humanas comuns.

Por que esse tipo de conteúdo atrai tantas pessoas

Existe uma explicação emocional para a popularidade dos gurus emocionais. Em momentos de sobrecarga, nossa mente busca atalhos. Queremos aliviar a dor rápida, receber validação imediata, sentir que estamos no caminho certo. As redes oferecem isso em abundância. E quando estamos vulneráveis, mensagens simplistas soam tentadoras.

No entanto, emoções complexas nunca se resolvem por atalhos. Elas se transformam quando entendemos origem, contexto, história e impacto. No consultório, sempre explico que sofrimento emocional não é defeito e que ninguém precisa de fórmulas. Precisa de compreensão.

Redes sociais e inteligência artificial não substituem o profissional

Com o avanço da inteligência artificial, muitas pessoas começaram a buscar respostas emocionais em ferramentas como o ChatGPT. Assim como ocorre nas redes sociais, isso pode oferecer acolhimento inicial, organização de ideias e até informações úteis. Mas nenhum algoritmo consegue realizar o que a psicoterapia propõe. 

A IA não acessa nuances emocionais, não interpreta contexto afetivo, não percebe sutilezas do comportamento e não acompanha processos internos ao longo do tempo. Também não tem responsabilidade ética, supervisão profissional ou compromisso clínico.

A Organização Mundial da Saúde destaca que saúde mental exige abordagem humana, baseada em vínculo terapêutico, escuta qualificada e intervenção técnica. 

Um chatbot não identifica riscos emocionais, não reconhece sofrimento profundo, não intervém em crises e não acompanha padrões que se repetem na história da pessoa. 

Por isso, sempre reforço às minhas pacientes que conteúdo digital, seja de influenciadores ou de inteligência artificial, pode complementar reflexões, mas nunca se equipara ao acompanhamento psicológico. A informação orienta, mas é na relação terapêutica que a transformação acontece.

Inclusive, tem uma matéria interessante na CNN sobre como as redes sociais não podem substituir o profissional especializado e vale sua leitura.

Como diferenciar conteúdo sério de psicologia de conselhos genéricos

Há alguns critérios que podem ajudar nessa identificação, e você deve conhecê-los.

Primeiro, observe se quem fala possui formação acadêmica e registro profissional. Psicologia é uma ciência e exige preparo técnico. 

Segundo, avalie se a pessoa cita teorias, autores ou pesquisas confiáveis. Veja também se o conteúdo respeita a complexidade das emoções humanas ou se busca oferecer soluções rápidas e universais. 

Existe incentivo para reflexão ou se a mensagem cria a sensação de que você não está evoluindo o suficiente?

Conteúdo sério costuma convidar para o autoconhecimento, nunca para comparação. Costuma abrir espaço para nuances, nunca para polarizações. Fortalece autonomia, nunca cria dependência.

A psicologia no meio desse excesso de informação

Como profissional, vejo todos os dias a diferença que faz quando uma mulher encontra um espaço seguro para falar das próprias emoções sem filtros de perfeição. 

Muitas chegam acreditando que falharam porque não conseguiram ser calmas, leves ou resilientes como viram em vídeos. Outras chegam com diagnósticos prontos, retirados da internet, que não correspondem à realidade.

A psicologia oferece um caminho mais paciente e humano. Trabalha a regulação emocional com base em evidências, não em frases prontas. 

É por isso que a gente acolhe a história de cada pessoa, suas dores e conquistas. Ajuda a construir repertório emocional, a desenvolver consciência e a transformar padrões com gentileza.

Em minhas sessões, sempre reforço que o sofrimento não precisa ser acelerado, ignorado ou superado rapidamente. Ele precisa ser compreendido porque o que transforma, de verdade, é o processo.

Um convite para seguir por um caminho mais consciente

Se você sente que está perdida entre tantas vozes, talvez seja o momento de se aproximar de informações responsáveis.

Meu e-book gratuito Despertar da Consciência pode ser um primeiro passo para fortalecer sua percepção emocional. 

Caminhar com consciência é mais libertador do que seguir atalhos. Estou aqui para te acompanhar nesse processo, se esse for o seu momento.

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