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O que os números sobre saúde mental dos jovens estão tentando nos dizer

Nos últimos anos, alguns dados sobre saúde mental de jovens brasileiros começaram a chamar muita atenção. Não são dados pequenos. Entre 2022 e 2024, mais de 260 mil jovens foram internados no SUS por transtornos mentais e comportamentais. Isso representa uma taxa nacional de 579,5 internações para cada 100 mil habitantes.

Quando olhamos para a faixa etária entre 25 e 29 anos, a situação se torna ainda mais preocupante. Nesse grupo, a taxa sobe para 719,7 internações a cada 100 mil habitantes.

Esses números podem parecer distantes quando aparecem em uma pesquisa ou em um relatório técnico, mas eles representam histórias reais. Jovens que chegaram a um ponto de sofrimento psíquico tão intenso que precisaram de internação hospitalar.

E quando uma situação chega a esse nível, quase sempre existe um caminho longo antes disso. Um percurso silencioso de dificuldades emocionais, tentativas de lidar sozinho com sentimentos difíceis e, muitas vezes, de falta de escuta.

Por isso, mais do que olhar para números, vale tentar entender o que eles estão tentando nos dizer sobre a vida emocional dos jovens hoje.

A saúde mental dos jovens é mais grave do que imaginamos

Nos últimos anos, alguns dados sobre saúde mental de jovens brasileiros começaram a chamar muita atenção. Isso não são dados pequenos que a Fiocruz pesquisou. Entre 2022 e 2024, mais de 260 mil jovens foram internados no SUS por transtornos mentais e comportamentais. Isso representa uma taxa nacional de 579,5 internações para cada 100 mil habitantes.

Quando olhamos para a faixa etária entre 25 e 29 anos, a situação torna-se ainda mais preocupante. Nesse grupo, a taxa sobe para 719,7 internações a cada 100 mil habitantes.

Esses números podem parecer distantes quando aparecem em uma pesquisa ou em um relatório técnico, mas eles representam histórias reais. Jovens que chegaram a um ponto de sofrimento psíquico tão intenso que precisaram de internação hospitalar.

E quando uma situação chega a esse nível, quase sempre existe um caminho longo antes disso. Um percurso silencioso de dificuldades emocionais, tentativas de lidar sozinho com sentimentos difíceis e, muitas vezes, de falta de escuta.

Por isso, mais do que olhar para números, vale tentar entender o que eles estão tentando nos dizer sobre a vida emocional dos jovens hoje.

Por que tantos jovens estão adoecendo emocionalmente?

O aumento das internações entre jovens revela algo importante: o sofrimento psíquico nessa fase da vida não pode mais ser tratado como algo pontual ou passageiro.

Muitos jovens vivem hoje uma combinação de pressões que nem sempre são percebidas pelos adultos ao redor. Existe uma exposição constante nas redes sociais, comparações frequentes com a vida dos outros, insegurança sobre o futuro profissional, relações mais instáveis e uma sensação permanente de urgência.

É como se a mente estivesse sempre ligada em um modo de alerta.

Quando não existe espaço para elaborar emoções como medo, frustração ou tristeza, o sofrimento emocional acaba encontrando outras formas de aparecer. Às vezes em crises de ansiedade, às vezes em comportamentos de risco, às vezes no próprio corpo.

É nesse momento que muitos jovens chegam ao consultório dizendo algo parecido com: “Eu não sei exatamente o que está acontecendo comigo, mas eu sinto que não estou bem”.

Um em cada três jovens consegue acesso ao cuidado

Outro dado importante mostra que os jovens são também os que menos procuram e menos encontram cuidados em saúde mental. Entre jovens de 20 a 25 anos diagnosticados com transtorno mental, apenas um em cada três está em tratamento.

Isso significa que uma grande parte desses jovens passam anos convivendo com sintomas sem acompanhamento adequado.

Existe ainda muito silêncio em torno da saúde mental. Muitos jovens escutam frases que parecem simples, mas que acabam deslegitimando o sofrimento emocional: “isso é fase”, “todo mundo passa por isso”, “você é jovem, aguenta”.

Só que o sofrimento emocional não desaparece porque alguém decide ignorá-lo. Na maioria das vezes, ele se intensifica quando não encontra espaço para ser compreendido.

Abuso de substâncias

Quando a pesquisa separa os dados por gênero, aparece um dado que chama bastante atenção. Entre jovens homens, a principal causa de internação psiquiátrica é o abuso de substâncias, presente em cerca de 38% dos casos. Na faixa de 25 a 29 anos, esse índice sobe para 41%.

Esse número revela algo que muitas famílias percebem na prática: muitos homens não foram ensinados a lidar com emoções difíceis.

Sentimentos como tristeza, frustração ou medo acabam sendo silenciados ou transformados em outras formas de comportamento. Em alguns casos, substâncias como álcool ou drogas passam a funcionar como uma tentativa de anestesiar aquilo que não foi aprendido a expressar.

O problema é que a substância não resolve o sofrimento emocional. Ela apenas o adia, e muitas vezes o intensifica.

Por isso, quando falamos sobre saúde mental masculina, inevitavelmente chegamos a uma conversa importante sobre educação emocional.

Transtornos de humor

Entre jovens mulheres, o cenário tem outra característica. A principal causa de internação são os transtornos de humor, presentes em 36,7% dos casos.

Entre adolescentes de 15 a 19 anos, as internações chegam a 39%, sendo que 75% delas estão associadas à depressão.

Esse dado dialoga muito com algo que observo frequentemente no consultório. Muitas meninas crescem aprendendo a se adaptar às expectativas dos outros, a cuidar, a corresponder e a sustentar relações. Só que nem sempre aprendem a reconhecer o próprio sofrimento emocional.

Quando sentimentos difíceis são acumulados por muito tempo, o peso pode aparecer mais tarde na forma de depressão, ansiedade ou esgotamento emocional.

Risco de suicídio

Outro dado que precisa ser olhado com atenção é o aumento do risco de suicídio entre jovens. Na faixa entre 25 e 29 anos, a taxa chega a 31,2 casos a cada 100 mil habitantes, acima da média geral da população, que é 24,7.

Entre homens jovens, os números são ainda mais elevados. E quando observamos populações indígenas, as taxas se tornam ainda mais alarmantes.

Esses dados nos lembram de algo importante: saúde mental não é apenas uma questão individual. Ela também é cultural e coletiva.

Ambiente familiar, rede de apoio, condições sociais e acesso a cuidado influenciam diretamente a forma como uma pessoa consegue lidar com o sofrimento emocional.

E a criação dos filhos nisso tudo?

Quando converso sobre esse tema com mães no consultório, uma pergunta aparece com frequência: “O que eu posso fazer dentro da minha casa?”

A resposta começa com algo simples, mas profundo: educação emocional.

Ensinar uma criança ou um adolescente a reconhecer o que sente é um passo fundamental. Dar nome às emoções, abrir espaço para conversas difíceis e mostrar que sentimentos fazem parte da vida são atitudes que constroem saúde emocional.

Um jovem que aprende a falar sobre o que sente tem muito mais chances de buscar ajuda quando precisa.

Um recado importante para mães

Se você é mãe, talvez esse tema toque você de um jeito particular. Porque quando falamos de saúde mental de jovens, inevitavelmente estamos falando também de família.

Não existe fórmula perfeita para criar um filho emocionalmente saudável. Mas algumas atitudes fazem diferença ao longo do tempo: presença, escuta e diálogo.

Muitas vezes, o exemplo também ensina mais do que qualquer orientação. Quando um adulto busca compreender as próprias emoções, ele abre caminho para que os filhos façam o mesmo.

Cuidar da própria saúde emocional também é uma forma de cuidar da próxima geração.

Se esse tema conversa com você, no meu site você encontra outros conteúdos sobre saúde emocional, família e desenvolvimento psicológico. Essa é uma conversa que precisa continuar.

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