Na época do vestibular, muitas famílias revivem emoções antigas e isso é comum. O filho diante de um futuro incerto e os pais tentando orientar, proteger e garantir o “melhor caminho”.
O problema é que, entre boas intenções, surge algo silencioso: a expectativa.
Ela pode vir disfarçada de conselho, de incentivo ou de preocupação. Mas quando não é reconhecida, transforma-se em peso. Muitos pais desejam que os filhos tenham oportunidades que eles próprios não tiveram. Outros querem ver os filhos seguindo profissões consideradas estáveis ou respeitadas.

Leia no Blog: Habilidades socioemocionais: por que elas são mais importantes que notas para o futuro dos adolescentes

O desejo, em si, é legítimo. O perigo começa quando o filho passa a viver o projeto emocional dos pais, e não o próprio. Vejo pouquíssimas pessoas falando sobre isso abertamente, mas é um tema recorrente no meu consultório. Vamos conversar mais sobre essa relação?
Quando o sonho não é seu
É comum encontrar adultos que se sentem frustrados com suas carreiras e só percebem, anos depois, que a escolha foi feita para agradar alguém. A busca por aprovação (ainda que inconsciente) muitas vezes leva o jovem a se afastar do que realmente gosta ou tem talento.
O resultado é uma carreira desconectada de propósito, repleta de cobranças e insatisfação. O processo de escolha profissional precisa ser um espaço de autonomia, e não de repetição.
Pais que projetam suas frustrações ou desejos interrompem a chance de o filho desenvolver autoconhecimento, principal ferramenta para uma escolha madura.
O papel dos pais: apoiar, não decidir

A função dos pais nesse momento é oferecer apoio emocional e confiança, não a resposta pronta. O adolescente precisa experimentar, testar, errar e se observar para entender o que desperta interesse e o que traz sentido.
Ajudar não é escolher por ele, mas criar um ambiente seguro para que ele se descubra.
A educação emocional dos pais é fundamental aqui. Pais emocionalmente conscientes conseguem separar o que é deles e o que é do filho. Sabem que o medo de ver o filho frustrado não pode se transformar em controle.
Eu sei que parece um tema delicado e difícil de ser resolvido, mas existem meios de trabalhar essa questão internamente, continue lendo.
Como a orientação profissional pode ajudar
A orientação profissional é um processo que mapeia interesses, habilidades e valores pessoais.
Ela ajuda o jovem a responder perguntas que vão além do “qual curso escolher?”, como “em que tipo de ambiente eu me sinto bem?”, “quais tarefas me motivam?” e “quais habilidades quero desenvolver?”.
Essa clareza reduz a ansiedade e fortalece a confiança do adolescente para decidir.
Para os pais, a orientação também é uma oportunidade de escuta. Permite enxergar o filho com um olhar mais realista e respeitoso, reconhecendo seus talentos e limites.
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Educação emocional para pais e filhos
Quando os pais aprendem a se observar emocionalmente, eles se tornam modelos de equilíbrio e segurança. Mostram que a escolha de uma carreira é apenas uma das muitas decisões da vida, e que errar faz parte do processo.
Filhos que crescem com essa referência desenvolvem mais autonomia, empatia e capacidade de lidar com frustrações, competências essenciais para o futuro profissional e pessoal.
Como aliviar o peso das expectativas
Se você é mãe ou pai e percebe que suas próprias histórias ainda influenciam suas expectativas, comece por três passos simples:
- Observe seus desejos: pergunte-se se o que você espera do seu filho é realmente o que ele quer.
- Converse com escuta ativa: evite dar respostas rápidas, prefira perguntas que o ajudem a refletir.
- Busque apoio se necessário: a psicoterapia e a psicoeducação ajudam a identificar projeções e a fortalecer vínculos mais conscientes.
A escolha profissional do seu filho não é sobre você, é sobre ele. E quando você oferece apoio sem impor direção, cria o espaço ideal para que ele cresça com segurança, clareza e propósito.
A educação emocional é o caminho para pais e filhos construírem juntos decisões mais leves e verdadeiras.
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No blog e na newsletter, compartilho reflexões e práticas para fortalecer esse processo.