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Mais de meio milhão de afastamentos por saúde mental: o que os dados escondem sobre as mulheres

Outro dia me deparei com um número que ficou ecoando na cabeça. Em 2025, mais de meio milhão de brasileiros foram afastados do trabalho por questões de saúde mental. Meio milhão. É gente demais pra gente tratar isso como algo distante.

Quando fui olhar com mais calma, um detalhe chamou ainda mais atenção. A maioria desses afastamentos foi de mulheres. E aí a pergunta vem quase automática: o que está acontecendo por trás disso?

Porque, pensa comigo, esses números não aparecem do nada. Eles são só a ponta de algo que já vinha sendo sentido há muito tempo.

O que está por trás dos afastamentos por saúde mental

Quando a gente fala de afastamentos por saúde mental, é comum imaginar casos extremos como crises e colapsos. 

Mas é também o cansaço que não passa nem depois do fim de semana e a irritação que vai ficando mais frequente. Principalmente, tem aquela sensação de estar sempre devendo em alguma área da vida, sabe?

E, no caso das mulheres, isso costuma vir acompanhado de uma sobrecarga bem específica porque é o cuidado com a casa, com os filhos, com os pais, com tudo que precisa continuar funcionando mesmo quando ninguém está olhando.

Essa soma vai acontecendo aos poucos, percebe? Não tem um dia exato em que tudo desanda. É mais como uma conta que vai acumulando sem a gente perceber.

Que curioso, né? A gente aprende desde cedo a dar conta e ser responsável, só que ninguém ensina onde isso precisa parar.

E é exatamente isso que eu quero falar com você hoje.

A cultura do “aguentar mais um pouco”

Tem uma frase que aparece muito no consultório. “Eu achei que dava conta”.

E, na maioria das vezes, dava mesmo. Por muito tempo até!

O problema é que existe uma linha que não é tão visível assim: a linha entre dar conta e se abandonar. E muita gente atravessa essa linha sem perceber, viu?

Segundo dados do SUS entre 2014-2024, 71% dos casos de burnout notificados são em mulheres. Ou seja, tem um padrão aí. 

Um padrão de se colocar sempre depois e adiar o descanso. Não adianta minimizar o próprio cansaço porque “tem gente pior” ou porque “agora não é hora de parar”.

Só de descrever isso já dá pra sentir o peso…

E aí, quando o corpo ou a mente finalmente pedem uma pausa mais séria, isso aparece como se fosse algo repentino. Mas não foi.

Por que isso custa tão caro

Quando alguém se afasta por saúde mental, geralmente já passou por um longo período tentando sustentar o que não estava mais dando.

E tem um detalhe importante aqui. Muitas mulheres só percebem o tamanho da sobrecarga quando já não conseguem mais continuar.

Antes disso, o que aparece são pequenos sinais, como falta de energia, dificuldade de concentração, sensação de vazio, até uma certa desconexão da própria vida e perda do sono.

Só que esses sinais são facilmente ignorados. Afinal, a rotina continua exigindo e as pessoas continuam precisando de nós o tempo todo!

Então a conta vai sendo paga com o próprio corpo, com a própria saúde emocional, até que não dá mais…

E o que esse número mostra

Esses mais de meio milhão de afastamentos por saúde mental dizem muita coisa e faz um convite pra olhar com mais honestidade pra própria vida. 

É preciso perceber onde você tem se exigido além do que é sustentável. Onde você tem dito “tá tudo bem” quando, na verdade, não está.

Olha só, não quero que você largue tudo ou tente mudar a vida de uma hora pra outra. Mas que tal começar a reconhecer o próprio limite antes que ele precise gritar?

Se, em algum momento, você percebe que está difícil dar conta de tudo isso sozinha, esse é o ponto de virada.

Próximos passos

Se esse texto te fez perceber que o cansaço não é só “uma fase”, talvez valha a pena olhar para isso com mais atenção porque no consultório, esse é um dos temas que mais aparece hoje.

Se você sente que está no limite, dá pra começar com uma conversa. Meus atendimentos são tanto online quanto presenciais em Belo Horizonte, e esse pode ser um primeiro passo para reorganizar o que hoje parece pesado demais para carregar sozinha.

E, se quiser continuar refletindo sobre esse tipo de tema no seu tempo, você pode se inscrever na newsletter e acompanhar os próximos conteúdos do blog.

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